Passou-se um longo ano desde minha última visita a este lugar. O tempo ganha outras dimensões quando observado de pontos distintos. Parece-me que não tenho estado aqui há dez anos. Tantas foram as coisas que se sucederam, que não haveria modos de dizê-las todas. Foram dias e noites… e muita mudança. Mudar é difícil, extremamente. Mas é natural e inevitável. Observado desde agora, o tempo não diz muito… mas nossas ações no tempo são a diferença que agora notamos. A mudança é ação – e a inécia também é uma forma de ação, tola, é verdade, mas é.
Vivi muitas coisas, mas muitas deixei de viver. Oportunidades se apresentaram e, feito Kairos, passaram correndo sem deixar fios de cabelos para serem agarradas. Ainda assim, portas se abriram e outras ficaram um pouco de lado.
No fim, tudo parte sempre das escolhas, por isso escolher é tão difícil. Portanto, revisitar um ano que se passa pode ser uma boa escolha, pois nos mostra por onde andamos e o que escolhemos, enquanto a linha do tempo percorre inexoravelmente seu doce caminho em direção ao infinito.
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1.
A pé e com o coração iluminado, adentro a estrada aberta,
Saudável, livre, o mundo adiante de mim,
A longa senda à minha frente, conduzindo-me para onde quer que eu escolha.
A partir de agora não peço mais pela boa sorte, pois eu mesmo sou a boa sorte,
A partir de agora abandono as lamúrias, não mais procrastino, de nada mais necessito,
Estou farto de reclamações entre quatro paredes,
Forte e satisfeito eu viajo pela estrada aberta.
A Terra é suficiente para mim,
Não desejo as constelações mais próximas,
Sei que estão muito bem no lugar em que estão,
Sei que são suficientes para aqueles que lá vivem.
Ainda assim, por aqui, eu carrego meus velhos fardos deliciosos,
Carrego-os, homens e mulheres, carrego-os comigo onde quer que eu vá,
Juro que é impossível deles me livrar,
Estou realizado por eles, e hei de realizá-los em troca.
(…)
15.
Allons! A estrada está diante de nós!
Já a provei, com meus próprios pés eu a experimentei bastante, não te detenhas!
Deixe que o papel permaneça sobre a mesa, em branco, o livro fechado na prateleira!
Deixa que as ferramentas jazam na oficina! Deixa que o dinheiro fique sem ser ganho!
Deixa que a escola espere! Não te importes com o chamado do professor!
Deixa que o pregador pregue no púlpito!
Deixa que o advogado defenda a causa na corte e que o juiz interprete a lei.
Camarada, dou-te a minha mão!
Dou-te meu amor mais precioso que dinheiro,
Dou-te meu ser antes de pregar ou legislar;
Dar-me-ás o teu ser? Viajarás comigo?
Seremos unidos um ao outro enquanto vivos estivermos?
Walt Whitman
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Ser forte de maneira que nada possa perturbar a sua paz de espírito.
Falar de saúde, felicidade e prosperidade a toda a pessoa que encontrar.
Fazer os seus amigos sentirem que há alguma coisa de superior dentro deles.
Olhar para o lado glorioso de todas as coisas e fazer com que o seu otimismo se torne uma realidade.
Pensar sempre no melhor, trabalhar sempre pelo melhor e esperar somente o melhor.
Esquecer os erros do passado e preparar-se para melhores realizações no futuro.
Ter tanto entusiasmo e interesse pelo sucesso alheio como pelo próprio.
Dedicar tanto tempo ao próprio aperfeiçoamento que não lhe sobre tempo para criticar os outros.
Ser grande na contrariedade, nobre na cólera, forte no temor e receber alegremente a provação.
Fazer um bom juízo de si mesmo e proclamar este fato ao mundo, não em altas vozes, mas em grandes feitos.
Viver na certeza de que o mundo estará ao seu lado, enquanto lhe dedicar o que há de melhor dentro de si mesmo.
Texto de alguma tradição milenar…
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Ahora me dejen tranquilo.
Ahora se aconstumbrem sin mí.
Yo voy a cerrar los ojos
Y sólo quiero cinco cosas,
cinco raices preferidas.
Una es el amor sin fin.
Lo segundo es ver el otoño.
No puedo ser sin que las hojas
vuelen y vuelvan a la tierra.
Lo tercero es el grave invierno,
la lluvia que amé, la caricia
del fuego en el frío silvestre.
En cuarto lugar el verano
redondo como una sandía.
La quinta cosa son tus ojos,
Matilde mía, bienamada,
no quiero dormir sin tus ojos,
no quiero ser sin que me mires:
yo cambio la primavera
por que tú me sigas mirando.
Amigos, eso es cuanto quiero.
Es casi nada y casi todo.
Ahora si quieren se vayan.
He vivido tanto que un día
tendrán que olvidarme por fuerza,
borrándome de la pizarra:
mi corazón fue interminable.
Pero porque pido silencio
no crean que voy a morirme:
me pasa todo lo contrario:
sucede que voy a vivirme.
Sucede que soy y que sigo.
No será, pues, sino que adentro
de mí crecerán cereales,
primero los granos que rompen
la tierra para ver la luz,
pero la madre tierra es oscura:
y dentro de mí soy oscuro:
soy como un pozo en cuyas aguas
la noche deja sus estrellas
y sigue sola por el campo.
Se trata de que tanto he vivido
que quiero vivir otro tanto.
Nunca me sentí tan sonoro,
nunca he tenido tantos besos.
Ahora, como siempre, es temprano.
Vuela la luz con sus abejas.
Déjenme solo con el día.
Pido permiso para nacer.
P. N.
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Já bem perto do ocaso, eu te bendigo, ó Vida,
Porque nunca me deste esperança mentida,
Nem trabalhos injustos, nem pena imerecida.
Porque vejo, ao final de tão rude jornada,
Que a minha sorte foi por mim mesmo traçada;
Que, se extraí os doces méis ou o fel das cousas,
Foi porque as adocei ou as fiz amargosas;
Quando eu plantei roseiras, eu colhi sempre rosas.
Decerto, aos meus ardores, vai suceder o inverno:
Mas tu não me disseste que maio fosse eterno!
Longas achei, confesso, minhas noites de penas;
Mas não me prometeste noites boas, apenas
E em troca tive algumas santamente serenas…
Fui amado, afagou-me o Sol. Para que mais?
Vida, nada me deves. Vida, estamos em paz!
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O frio que se seguiu à aurora me lembrara Matilde. “Eis a manhã no coração do estio, cheia de tempestade”. Senti falta de sua boca abrasadora e dos seus olhos noturnos onde sempre naveguei. Senti a alegria da primeira vez que a vi e também daquela outra, em que a tive entre meus braços. Tudo me lembra Matilde, mas nesta manhã, “iguais a lenços brancos de adeus, passam as nuvens, e o vento a sacode com sua mão viajante”.
Quando me disseste que irias contigo, sem que o soubesse a noite ou as estrelas, repeti o mesmo pedido: “vem comigo”. Foi por esta época que vi o “inumerável coração do vento pulsando sobre nosso silêncio enamorado”. E morrendo de amor, atirei-me sobre a vida com a mesma fúria com que o vinho abrasa o seu cárcere cerrado. “Zumbindo sob as árvores, orquestral e divino qual uma língua cheia de guerras e de cantos”, estávamos nós, apenas. Eu vi em seus olhos a cor da lua, ó bem amada! Em ti eu via o florescer da vida de todos os seres. Juntos selamos o silêncio que nos acompanhou desde o início.
No “vento que leva em rápido roubo a folharada e que desvia as flechas palpitantes dos pássaros”, viajamos serenamente. E o teu riso era constante e o coração ardente. Sempre senti a fome de tua boca, de tua voz, de tua pele intacta de amêndoa e os teus passos marcados na areia “que a vai derrubando em onda sem espuma e substância sem peso e fogos inclinados”.
Escreveria a vida inteira somente para ti, mas seria pouco. Deixei-te, por isso, os meus versos mais sentidos e tudo que neles fui capaz de traduzir. Cem sonetos escritos para ti, minha doce Matilde. Mas nesta hora em que escrevo estas linhas derradeiras, o vento e as formas passageiras serão as únicas testemunhas de meu ocaso. “Lacera-se e naufraga seu volume de beijos batido junto à porta desse vento estival”.
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Muy cerca de mi ocaso, yo te bendigo, Vida,
porque nunca me diste ni esperanza fallida,
ni trabajos injustos, ni pena inmerecida;
porque veo al final de mi rudo camino
que yo fui el arquitecto de mi propio destino;
que si extraje la miel o la hiel de las cosas,
fue porque en ellas puse hiel o mieles sabrosas:
cuando planté rosales coseché siempre rosas.
Cierto, a mis lozanías va a seguir el invierno:
¡mas tú no me dijiste que mayo fuese eterno!
Hallé sin duda largas las noches de mis penas;
mas no me prometiste tan sólo noches buenas;
y en cambio tuve algunas santamente serenas…
Amé, fui amado, el sol acarició mi faz.
¡Vida, nada me debes! ¡Vida, estamos en paz!
Amado Nervo
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